Notícias - Destaques

NOTA DE REPÚDIO a respeito do encerramento da exposição Queermuseu

NOTA DE REPÚDIO


A respeito do abrupto encerramento no dia 10.09.2017 da exposição Queermuseu _x0096_ Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, em mostra no Santander Cultural desde o dia 14.08.2017, o GT Acervos e ANPUH-RS vem se posicionar de modo a declarar seu repúdio e sua indignação contra tal ocorrência.


A exposição Queermuseu propunha uma reflexão importante sobre questões de gênero, sexo e poder, disponibilizando, para isso, um conjunto de obras de importantes artistas contemporâneos como Lígia Clark, Adriana Varejão e Yuri Firmesa. A promoção de uma mostra com a temática LGBT, inspirada em eventos similares ocorridos no Tate Britain, National Portrait Gallery e Museu Nacional da Polônia, procurava revisar conceitos estéticos, culturais e sociais que orientam valores de nossa sociedade, de modo a ampliar o debate necessário sobre diversidade, inclusão e tolerância.


A atitude fundamentalista de grupos conservadores que passaram a hostilizar organizadores e frequentadores da mostra, sem propensão ao debate público de ideias, através de acusações de desrespeito a valores cristãos e incentivo a aberrações sexuais, seria risível se não conseguissem o propósito de encerrar a exposição. Infelizmente, estes atos serviram de justificativa para que a direção do Santander Cultural, em defesa de uma _x0093_inclusão e reflexão positiva_x0094_ da Arte, decidisse por fechar unilateralmente a exposição.  


O fato do Santander Cultural curvar-se à censura, ainda mais exercida através da hostilidade das redes sociais e, pior, no local da exposição, é um ato de incomensurável consequência para aqueles que percebem os acervos culturais como meios de questionamento de valores de nossa sociedade. É lamentável que uma instituição cultural, com relevante papel na disseminação cultural regional, tome uma decisão motivada por pressões obscurantistas e encerre a exposição, desrespeitando os próprios pressupostos da Arte, que, afora outras questões, objetiva o livre pensamento e instiga novas problematizações acerca de questões latentes da sociedade. 


Precisamente em um contexto onde a Arte Contemporânea e os diálogos com questões de gênero ganhavam importante e necessário espaço nos centros culturais porto-alegrenses, este mesmo foi rechaçado por grupos que ainda percebem o objeto artístico apenas por sua forma. A não-problematização da mostra, de suas obras, de seus artistas e de seus temas, que culminou com o encerramento da mesma, apenas ratifica a visão e os posicionamentos intolerantes dos censores do século XXI que, baseados em interpretações rasas e infundadas, legam à arte o papel mais sorrateiro: o de influenciar e definir formas de pensar e agir.


Porto Alegre, 11 de setembro de 2017.


 


Diretoria da ANPUH-RS (Gestão 2016/2018)


Coordenação GT Acervos: História, Memória e Patrimônio da ANPUH-RS (Gestão 2016/2018)

Veja também